quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Bem Dizeres

Bendito sejas tu, tempo recente que me acolhes e anuncias o canto.
Bendita a tua cor, os teus acordes e preces.
Benditos os santos e santas desvendados e renascidos.
Bendita você que me aceita e me traduz; que brinca de risos e tempera a lágrima.

Bendito sejas tu, tempo eloquente.

Traz as doses e aromas do teu retiro.

Benditas as letras, mandalas poéticas do abraço que me liberta ao me fazer voltar.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

mas e se quiseres ter apenas esse impulso? 
e se de nada servem as tônicas da sorte?
eu penso que deve haver um penhasco do acaso, das incoerências lúcidas, para onde se 
vão os cantos, as clarezas, os bonecos e conchinhas. 
vislumbres. 
das loucuras ditas, apenas sossegue; das escritas, reviras e voltes.

é esse o meu tempo.

interpretações bruscas de um tempo sonâmbulo.
o impulso de ser crua.
a cronologia pulsante na carne.
eu penso que deve haver um planeta de frases não ditas esperando o tempo de nascer.


domingo, 18 de janeiro de 2015

Palavras ausentes me atropelam.
Persisto, involuntariamente, sublinhando pontilhados agudos; texturas improváveis de uma loucura sutil.
O calor exaustivo faz novas velhas canções.
Ela, queimando-se aos lampejos de horizontes perdidos, fraqueja na primeira folha.
O sentido almejado é eterno fugitivo; a esperança às vezes amiga cansada.
São ferozes os tempos das agonias; milagrosos os tempos da agonia.
Toda sorte lançada ao toque. Retângulo inútil, previsível.
Não é amargura, não senhora. É fome.
Ela disse que tem nome e que se chama desejo.
Por vezes, quero apenas o chiado daquela rua; o sabor daquela paz.
Palavras ausentes me atropelam, sempre.