quarta-feira, 9 de outubro de 2013

já nem sabemos quais as vozes ouvimos dentro do túnel. são tantas, tão diversas e repetitivas que já não as reconhecemos. pudera cumprir as horas de nuvem que tanto sonhou; pudera ir para além da próxima fase; diante do cara que decide tudo. projetos ocos, letras tortas, vozes chatas e um monte de enredos mal criados. inspiração do nada. e eram tantas outras opções oferecidas. teria sido amanhã aquilo que é ontem. hoje se foi.

sábado, 31 de agosto de 2013

Pensar que para além daqui existe o ontem. O tempo é algo que me enfurece e silencia. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Mercúrio

Escrever em terceira pessoa e ver se assim eu vejo; ver se assim enxergo o "vai passar" que tanto ouço existir. Colocar os binóculos dos que estão de fora e enxergar o manual.

Vou terceirandarmear. 

Ela queria que seu relógio pulsasse canção; queria sentar na poltrona mágica e permanecer sob o efeito da lucidez do sol. Aos nove casou-se com metáforas e aprendeu desde então a construir o tempo... Às vezes, confusa entre seus atalhos, ela se perde... Perdida...Por não compreender a pressa do cinza...A teimosia do silêncio... O embarque do abraço. Ela se repete. E esquece pra se repetir.

Tolices... O abismo está em sair da segunda pessoa.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Enquanto eu.
Ei, você, conta pra mim como tem sido você;
Diz qualquer coisa que me faça pensar que eu posso pensar em você.
Diz um olhar da noite, de ontem, de terça-feira;
Fala da calçada nova, do sapato achado, do quadro pintado;
Conta as contas pagas, os processos feitos, as dosagens prescritas;
Olha, pode ser um sinal, uma insinuação, um quase levantar dos dedos.
Pode ser você assim, de leve, de tímido, de partido.
Pode ser uma memória, um refrão, uma esfinge;
pode ser um traço, um dedilhado, um pincel.
Fala do tempo, do acorde, dos cães;
Lembra a cidade, o sonho ruim, o cheiro da massa de pão.
Traz o casaco, a bolsa e o chiclete.
Ei, você, conta pra mim como tem sido você.
Diz qualquer coisa que me faça pensar que eu posso pensar em você.
Enquanto eu.

sábado, 17 de agosto de 2013

Gosto

O nome do mês é agosto. Eu ficava ouvindo as diversas crendices sobre o mês e não ligava; a piadinha do "a gosto de deus" era (e ainda é!) uma chatice quando eu ouvia (e ouço!); que era um mês frio, cinza; que sempre morre um monte de gente; que dá azar. Nunca acreditei, nunca liguei. Agosto sempre foi o mês mais festejado na minha casa. Mês do Sebastião, meu amado pai. Tinha que ter almoço do dia dos pais, no dia dos pais e tinha que ter bolo no aniversário; tinha que ter velinha pra assoprar, telefonemas, abraços e (sim!) presentes embrulhados nas duas datas!
Escrever sobre ele (ainda) é uma confusão na minha cabeça. Podia ficar horas falando das tardes, dos sonhos, do sorrisão no gol do Botafogo; dos boleros divididos; do prazer em se alimentar, andar, dormir; da gratidão falada com olhos e voz por estar vivo. Podia ficar dias escrevendo sobre ele. Mas os dedos travam e só sai voz. E é assim que eu fico aqui, com nossos boleros, doçuras e confidências... 

domingo, 4 de agosto de 2013

Novembro 11

Quando pequena gostava de escrever. Escrevia porque sentia, porque pensava, porque queria, por saber, por descobrir, por não fazer ideia... Escrevia. Era meu vício, minha rotina, meu desenho, minha curva. Pequena quer dizer pequena mesmo, criança. Não lembro bem das aulinhas na escolinha, das massinhas (acho que nem convivi com elas), dos tombos de bicicleta; lembro das letras se juntando, da pressa em colocar no papel meus personagens e suas possibilidades, eram muitas, sempre.

Escrevendo me compartilhava, multiplicava-me. Era minha criação, meu reinventar.


Contrariando a aparência serena de uma criança calma, responsável e tão dedicada aos estudos, vinha uma inquietação sem tamanho que só encontrava cumplicidade nas letras; passeando por elas conseguia, por fim, traduzir-me a mim mesma.  Chegava a noite e refazia os percursos, as escolhas, as frases e não deixava nunca de me surpreender com o fato de podendo eu decidir tudo, quase sempre me rendia aos pedidos daqueles que só existiam dentro de mim e como assim tinham tanta voz e vontades? Era confusa essa parte . Por que podendo torná-lo mocinho, o lápis ia transformando-o aos poucos no oposto? Eu, ali, no auge dos nove, dez anos de vida, respondia que ao começar não sabia como terminava. As frases surgiam e assim, de uma hora para outra, terminavam. Um iniciar, um terminar, um iniciar outro e buscar um novo terminar... Tudo muito naturalmente, como na vida, a de verdade.

Mas, o tempo real surge cheio de urgências, chatices, prazos e um monte de outras coisas e fui perdendo o hábito, a rotina, fui perdendo a mão. Passei a escrever sem tinta.

Quando comecei essa conversa pretendia falar da dor; falar dessa dimensão aqui, onde tudo é tão novo e ao mesmo tempo tão já imaginado e temido por mim... Mas fui atraída por um cheiro de infância que me invadiu de um amarelo, de um quase sol. Eu desenhava sol quando chovia e depois ia pra janela olhar se havia alguma brechinha de azul... Nem sempre havia, aliás, em dias de chuva, quando o desenho não surtia o efeito esperado, eu sentava e escrevia sobre ela.



Sentemos.