domingo, 9 de dezembro de 2012

Uma carta, um bilhete, um aceno e já teríamos vivido outra época.
As canções, os filmes, as tintas e teríamos o folhetim. 
E essa poesia que me cobra letras e me esgota. Esnoba. 
As cores que trago são as que deixou na vitrola. As marcas que cubro desenham o pássaro tatuado. 
Eu reviro as cartas, codifico o silêncio e deixo-me levar, entrego-me. Como vencer teus acordes?
E lá vem os sobreviventes me entregarem boias e coletes. 
O manual dura dias, semanas, eternidades. Eles sobreviveram.
A canção é a mesma.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Tangos e Rapel

Por que será que às vezes o amor precisa doer? Quando não é bom, ainda é amor? A gente fica nessa coisa sem saber pra onde ser e vai indo entre flores e cantos; entre almofadas e construções; tangos e rapel. A gente não se percebe rachando, rompendo, queimando. A gente persiste até o deixar de ser e o deixar de ser é tão agora, é tão já estava; já somos o era. Assim, entre a luz e som, já sou pretérito imperfeito.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

um daqueles sem

Memórias me vestem, aquecem, afastam...
Eu digo sim e degusto, avalio, rompo, quebro, costuro.
Assim vou e volto, devolvo, encaixo, transbordo.
Por hoje me manterei no eu. Sem segundas ou novas primeiras, apenas o eu.
Codifico-me em busca da minha ausência de explicação.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Como se diz fim?

Vai, diz pra mim... Do outro lado da margem existe o nó? Você consegue caminhar e sentir algum vento? Por aí é possível ver pessoas em detalhes, cores, olhos, sorrisos, qualidades? E me fala uma coisa, existe som? Vozes, timbres, gírias, hein, existe? Você consegue ligar, curtir, cansar, desligar, sair? Consegue digitar, acessar, compartilhar, comentar, enviar? Por aí você escolhe entre o branco e o xadrez? Entra na fila enquanto lembra de uma música? Ouve música enquanto se lembra que precisa comprar um tênis novo? Conta, vai... Aí você consegue sentir-se vivo?
Preciso desconstruir-te. A necessidade deveria ser por si o romper, a libertação. Mas, ela vem impondo o contrário do que subentende. Ela sinaliza algo e reforça o inverso.
Por aqui existe nós, gritado, sangrado, indesatado. Por aqui é silêncio e barulho, barulho e silêncio. Não há meio, só extremos. Pessoas passam, entram, saem, devem ouvir e dizer e o percurso é simplesmente feito e refeito, sem destino. Não faço escolhas, nem desconverso nada; não tenho nexo. Aqui só o grito, o fio, a claridade do luto.