domingo, 29 de maio de 2011

Mapa

Um dia aquela disse-me que se intrigava comigo. Achava-me muito perdida. Eu fiquei indignada, "eu perdida?". Mas, ela tinha razão. Eu realmente me perdi no meio das minhas infinitas reticências.

Às vezes a gente tenta se encaixar em outras narrativas. Enquadramos tudo para caber nos sonhos alheios e em alguns segundos lá está você perdida. Aí vem a parte da música acabar, da luz acender, da cortina abrir (ou fechar). Vem a hora de dormir e encarar a interrogação que dilacera.


Conheço gente que sempre soube; que sempre quis; sempre foi e ainda é. É. Conheço gente assim. Antes eram pessoas normais pra mim, antes de perceber o meu distanciamento de mim mesma. Hoje elas vivem do outro lado. Não é um lado sem problemas, perfeito como os meus romances da terceira série. O lado de lá é apenas real e eis seu encantamento, pelo menos por hoje.


Percebo as estradas. Hoje eu ouço sons variados desde músicas à buzinas; hoje eu percebo os homens cansados, as mulheres grávidas, as crianças descobrindo; hoje eu percebo a beleza do erro gramatical, coloquial... Hoje eu percebo.


Quero apenas desenhar meu mapa, não precisar explicá-lo. Não precisar explicar-me ou melhor ainda, não temer as perguntas. Quero desenhar meu mapa.


Saber o que tem depois do lá.