domingo, 13 de setembro de 2009

Diária

Sol anunciando a manhã
Cabelo na cara
Entender que o dia começa
Pensar em você.
Saber da hora
Lembrar que dia hoje
Levantar
Dobrar lençol
Pensar em você.
Dizer alguma coisa
Água no corpo
Remédios
Decidir entre livros e teclados
Pensar em você.
Receber notícias do dia
Passos em casa
Livros e teclados
Água
Pensar em você.
Bom cardápio
Harmonia no espaço
Agonia interna
Quarto ou sala?
Pensar em você.
Falta
Incompreensão
Suposições
Pensar.
Teclados e dúvidas
Jazz
Escovar dentes
Água
Tormentas
Repensar você.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Entre mim e eles

Hoje passei por nós dois.
Mãos, sorrisos e travessias.
Enquanto recortava a paisagem, permaneci calada.
Esperar o tempo.
Perceber o rumo.
Aceitar os ventos.
Navalha silenciosa.


"y en un café, un café de verdad
cayó el último acorde del piano"

terça-feira, 31 de março de 2009

Contornos Suburbanos

O Rio da poesia, da bossa e das meninas bronzeadas ainda existe. O Rio com seus contornos suburbanos, seus pandeiros e Djs.
Minha mãe é meu nordeste e aqui me sinto em casa. Aqui aprendi a ser. Da Avenida Brasil ao Centro; ônibus só até onze e meia. A zona sul surgindo ao terceiro sinal. Desliguem o celular.
Saber dos problemas, conviver com o medo, mudar as rotinhas, os trajetos... O Rio vai se ajeitando aqui, ali, tentando perdoar seus filhos inconsequentes. Somos tantos filhos e tantas são as consequências das nossas desculpas, das nossas vendas e dos nossos tapetes.
Uma menina morre porque pediu um crachá. Eu planejo como será minha volta pra casa após a faculdade. Eles andam com seguranças. O bom e o mau brincam de esconde-esconde. Um baile de máscaras.

Mas o Rio da poesia, da bossa e das meninas brozeadas ainda existe.

domingo, 29 de março de 2009

Último Poema

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais.
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas.
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume. A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos. A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.


Manuel Bandeira

Sofia

Mudanças. Mudar é verbo definitivo na conjugação da vida. Com todas as suas indefinições, ele empurra a primeira pessoa, encara a segunda, a terceira e quantas mais existirem no discurso.

Estive mudando de lugar, de praça, de estratégias... Estive pensando, repensando, esquecendo. Novas calçadas, sinalizações, novosvelhos vizinhos. Alguns sons me confundem, outros me irritam e os mais importantes me dão esperança. Um espelho me mostra o tempo; a janela relata o descaso. Aqui dentro, paz. Moro com anjos.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Hoje não fui ao teatro ver meu amigo.
Desculpe, perdoe, sinto muito, querido.
Querido sim. Realmente lhe quero bem...

Eis que uma delas se aproxima

Eis que uma delas se aproxima. Ela está cansada, teve um dia chato, cinza, cheio de coisas por fazer e nenhuma dica de como começar. Um dia regado à lágrimas tímidas e chocolates como acompanhantes. Hoje ela está por aqui. Iremos conversar e talvez ela encontre em mim algum refúgio ou seja eu a última mancada do dia. Ela costuma chegar assim, pedindo licença, falando baixo, ou melhor, não fala. Olha. Olha ao redor. Olha buscando algo que não faz idéia do que seja. Ela olha os cantos, as brechas... Ela quer a chave. Eu fico observando. Não posso ir além. Permito que ela entre, desabafe seu silêncio, me culpe e depois, com a maior delicadeza, me peça desculpas e se afaste. Esse é seu tipo. Hoje ela está com cara de quem veio passar dias. Talvez não. Talvez seja apenas uma rápida visita. Apenas um lembrete de que ela está por aqui... Que dias coloridos não a levam pra longe. Apenas servem como canção de ninar. Nessa noite não iremos ouvir canções. Iremos respirar. Iremos aqui. Enquanto ela, muda, procura sua chave, eu fico aguardando o momento em que as tintas serão jogadas na parede... E que venham as cores sem cores dessa noite.
Ela não quer escrever.

quarta-feira, 25 de março de 2009


Uns olhos assim...

Parágrafo da estação

Os dois estão por ali esperando. Barulho. Porta aberta. Entram. Ela se senta, ele ao lado dela. Ela abre uma bolsa vermelha com muita certeza do que quer encontrar; ele abre sua pasta. Ela encontra Clarice; ele, uma página sobre células-tronco. Dança das páginas. Barulho. Ele atende um telefone e responde dúvidas sobre dor nas costas. Clarice é interrompida. Curiosidade. Viagem retomada. Harmonia entre os manuseios. Interesse empatado. Percepção. Incômodo. Clarice e Células os assistem. A moça da frente quer saber da Clarice. Bolsa vermelha aberta, alimento devolvido; pasta novamente ocupada. Levantam. Aguardam. Saem. Ela pra esquerda, ele pra direita, é o fim do encontro.

terça-feira, 24 de março de 2009

Um combinado



Ah, se houvesse uma conexão direta entre pensamentos e teclas. A cada novo parecer, alguma letra surgisse. Talvez assim, fosse possível pausar o tempo e ler minhas páginas em branco com mais precisão.Naquelas horas em que as dúvidas se misturam às doces descobertas e tudo parece fazer tanto sentido; ou nos sombrios momentos de certezas, onde o medo é meu nome. Traduzir as doçuras de um coração apaixonado e zonzo...Ah, se assim pudesse ser! Ver tantos olhares, múltiplas vozes e infinitas Estórias pra contar, tudo ali, ao alcance da minha (humilde) interpretação e entregues à rapidez do acerto entre pensamentos e teclado.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Claricota

Escrever realmente é uma dose de dor somada a um profundo prazer instantâneo. Sim, é preciso concordar com suas dificuldades relatadas a respeito disso. Eu sempre mantive uma relação esquisita com as palavras. Mais com as escritas, eu acho. Quando falo, sou reticente e em algum momento o que eu quero dizer se traduz. Nossa. A sensação é de luta. Chego a sentir o coração batendo forte, a respiração alterada, até que tudo se consolida em uma palavra e pronto. Posso voltar a ser. Mas quando escrevo... Essa coisa de ter que saber driblar as armadilhas da língua, logo eu, que assumidamente, já me rendi à condição de aspirante gramatical, logo eu.

Penso tanto. Tantos túneis. Tanta gente. Pensar tem seu ritmo, seu tempo. Escrever é outra coisa. Mas depois de escrito, gosto de ver seu desenho, embora me irrite ler o que escrevo. Não gosto.
Daqui de onde estou atualmente o tédio tem sido um vizinho perturbador. Seu silêncio me acorda. Não me permite sonhar. E me avisa do tempo, das horas, do anonimato. Rodopia a minha volta, grita, ruge melancolicamente. E eu assisto ao drama, enquanto como uvas. Verdes.

Por isso não provoque


Um oito de março. Dia do "mundo cor de rosa". E mulher é isso, e mulher é aquilo e tantas frases escritas e ditas por ai. Mas o fato é que o mundo cor de rosa está longe de ser monocromático e habitado por fadinhas e princesinhas. As nativas sao gigantes!
Eu passei pelo dia com umas coisinhas chatas na cabeça. Isto porque ainda me permito ficar estressada com as dificuldades (leia-se limitações) desse tal mundo. Por que será tão difícil assimilar o cada um de cada um? Mulher é mãe, filha, companheira, concorrente, amiga, encrenqueira; usa salto, batom, cabelo pintado, usa nada; tPmss, dorzinha aqui, ali, acolá; negra, branca, ruiva, pálida, cor-de-rosa-shok; saltos, óculos, brincos, bolsas, bonés, tênis, gravatas; diminutivos, adjetivos, frases cheias de reticências; curvas de uma estrada fascinante.
Evoluir (por aqui) é estar em comum acordo consigo mesma. Acreditar no que sente, no que pretende e (con)seguir...
Meninas, moças todas, sejamos cada uma cada uma porque assim a vida fica beeeemm mais interessante!