quinta-feira, 17 de março de 2016

o fio
o rio
o caos

a menina
a loucura
a paz

o moderno
o triunfo
o corte

a estrela
a derrocada
a sorte

o projeto
o diferente
o ímpar

a preguiça
a astúcia
a discórdia

o novo
o velho
o do meio

a escrita
a neurose
a metáfora

o mesmo
a mesma

o sempre
a morte.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

E tanta beleza assim deve ser difícil de silenciar.
Deve corroer, amordaçar, triturar.
Cores lutando em seus contrastes, em amargas texturas.
Um cenário sem saída, sem saúde, sem socorro. E sem vítimas.

A parte que não se compreende é filha dos verbos explicativos.
Assim eu as vejo. Todas. São criações do tempo e da cura.
Telas, páginas, melodias -  todas em seus altares.


quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Bem Dizeres

Bendito sejas tu, tempo recente que me acolhes e anuncias o canto.
Bendita a tua cor, os teus acordes e preces.
Benditos os santos e santas desvendados e renascidos.
Bendita você que me aceita e me traduz; que brinca de risos e tempera a lágrima.

Bendito sejas tu, tempo eloquente.

Traz as doses e aromas do teu retiro.

Benditas as letras, mandalas poéticas do abraço que me liberta ao me fazer voltar.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

mas e se quiseres ter apenas esse impulso? 
e se de nada servem as tônicas da sorte?
eu penso que deve haver um penhasco do acaso, das incoerências lúcidas, para onde se 
vão os cantos, as clarezas, os bonecos e conchinhas. 
vislumbres. 
das loucuras ditas, apenas sossegue; das escritas, reviras e voltes.

é esse o meu tempo.

interpretações bruscas de um tempo sonâmbulo.
o impulso de ser crua.
a cronologia pulsante na carne.
eu penso que deve haver um planeta de frases não ditas esperando o tempo de nascer.


domingo, 18 de janeiro de 2015

Palavras ausentes me atropelam.
Persisto, involuntariamente, sublinhando pontilhados agudos; texturas improváveis de uma loucura sutil.
O calor exaustivo faz novas velhas canções.
Ela, queimando-se aos lampejos de horizontes perdidos, fraqueja na primeira folha.
O sentido almejado é eterno fugitivo; a esperança às vezes amiga cansada.
São ferozes os tempos das agonias; milagrosos os tempos da agonia.
Toda sorte lançada ao toque. Retângulo inútil, previsível.
Não é amargura, não senhora. É fome.
Ela disse que tem nome e que se chama desejo.
Por vezes, quero apenas o chiado daquela rua; o sabor daquela paz.
Palavras ausentes me atropelam, sempre.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

já nem sabemos quais as vozes ouvimos dentro do túnel. são tantas, tão diversas e repetitivas que já não as reconhecemos. pudera cumprir as horas de nuvem que tanto sonhou; pudera ir para além da próxima fase; diante do cara que decide tudo. projetos ocos, letras tortas, vozes chatas e um monte de enredos mal criados. inspiração do nada. e eram tantas outras opções oferecidas. teria sido amanhã aquilo que é ontem. hoje se foi.

sábado, 31 de agosto de 2013

Pensar que para além daqui existe o ontem. O tempo é algo que me enfurece e silencia. 

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Mercúrio

Escrever em terceira pessoa e ver se assim eu vejo; ver se assim enxergo o "vai passar" que tanto ouço existir. Colocar os binóculos dos que estão de fora e enxergar o manual.

Vou terceirandarmear. 

Ela queria que seu relógio pulsasse canção; queria sentar na poltrona mágica e permanecer sob o efeito da lucidez do sol. Aos nove casou-se com metáforas e aprendeu desde então a construir o tempo... Às vezes, confusa entre seus atalhos, ela se perde... Perdida...Por não compreender a pressa do cinza...A teimosia do silêncio... O embarque do abraço. Ela se repete. E esquece pra se repetir.

Tolices... O abismo está em sair da segunda pessoa.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Enquanto eu.
Ei, você, conta pra mim como tem sido você;
Diz qualquer coisa que me faça pensar que eu posso pensar em você.
Diz um olhar da noite, de ontem, de terça-feira;
Fala da calçada nova, do sapato achado, do quadro pintado;
Conta as contas pagas, os processos feitos, as dosagens prescritas;
Olha, pode ser um sinal, uma insinuação, um quase levantar dos dedos.
Pode ser você assim, de leve, de tímido, de partido.
Pode ser uma memória, um refrão, uma esfinge;
pode ser um traço, um dedilhado, um pincel.
Fala do tempo, do acorde, dos cães;
Lembra a cidade, o sonho ruim, o cheiro da massa de pão.
Traz o casaco, a bolsa e o chiclete.
Ei, você, conta pra mim como tem sido você.
Diz qualquer coisa que me faça pensar que eu posso pensar em você.
Enquanto eu.

sábado, 17 de agosto de 2013

Gosto

O nome do mês é agosto. Eu ficava ouvindo as diversas crendices sobre o mês e não ligava; a piadinha do "a gosto de deus" era (e ainda é!) uma chatice quando eu ouvia (e ouço!); que era um mês frio, cinza; que sempre morre um monte de gente; que dá azar. Nunca acreditei, nunca liguei. Agosto sempre foi o mês mais festejado na minha casa. Mês do Sebastião, meu amado pai. Tinha que ter almoço do dia dos pais, no dia dos pais e tinha que ter bolo no aniversário; tinha que ter velinha pra assoprar, telefonemas, abraços e (sim!) presentes embrulhados nas duas datas!
Escrever sobre ele (ainda) é uma confusão na minha cabeça. Podia ficar horas falando das tardes, dos sonhos, do sorrisão no gol do Botafogo; dos boleros divididos; do prazer em se alimentar, andar, dormir; da gratidão falada com olhos e voz por estar vivo. Podia ficar dias escrevendo sobre ele. Mas os dedos travam e só sai voz. E é assim que eu fico aqui, com nossos boleros, doçuras e confidências...